Resistência dos antibióticos um problema mundial.

Dados recentes tem mostrado que estamos vivendo uma situação muito complicada em relação ao uso dos antibióticos nos tempos atuais. Em resumo existe uma resistência crescente aos agentes mais eficazes em razão do uso irresponsável dos mesmos.  Além disso já se vão vinte anos que nenhum agente novo é descoberto ou chega à farmácia para uso clínico.  Isso acendeu um sinal vermelho na comunidade médica internacional. Alguns países tem a sorte e uma posição privilegiada em relação a esse assunto, uma vez que já há algum tempo não permitem o uso e acesso livre a esses medicamentos. Em outros países, no entanto, a situação é mais crítica.  Para que se tenha uma pequena ideia, os últimos antibióticos de uso mais comum, foram as quinolonas, cujo exemplo principal é a ciprofloxacina, uma droga útil até no combate ao antraz. Em alguns países, e infelizmente no Brasil, o índice de resistência das bactérias a esse poderoso medicamento já chega a 40%, tornando-o praticamente imprestável, por exemplo para tratar infecções urinárias simples, como cistites (infecções urinárias restritas à bexiga, muito comuns em mulheres).

Outro fator muito importante nessa situação temerária é o uso dos antibióticos pela indústria.  Dados apontam que 70 a 80% de toda a produção de antibióticos do mundo é utilizada nas rações de animais de criação ( frangos, suinos, bovinos, caprinos, etc.). E em animais saudáveis – como profilaxia de infecções prováveis!. Isso cria mecanismos de resistência que são facilmente transferíveis geneticamente pelas bactérias (não todas e nem a todos os antibióticos), mas qualquer pessoa com um mínimo de discernimento e inteligência enxerga o erro nisso. Por sinal esse é o segundo erro em termos de rações para animais de criações. O primeiro é o uso de anabolizantes que vem sendo combatido. Os anabolizantes encurtam o tempo de desenvolvimento  ponderal, o crescimento desses animais, gerando mais lucros, super-frangos, super-bois, etc.  E esse hormônios de alguma maneira sobra no produto que chega aos nossos pratos. O que justifica a ilação, ou suposição de que isso possa estar afetando, a maior incidência de cânceres (próstata, mama, testículos), puberdade precoce em nossos filhos, infertilidade e uma série de outras coisas difíceis de pesquisar seriamente, fazendo um caminho inverso.

Voltarei ao assunto discutindo quais seriam as alternativas  e soluções para contornar isso  e minimizar esses problemas.

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Dr. Homero Guidi
Dr. Homero Guidi