Novidades do Congresso da International Continence Society, Toronto, Canadá

O Congresso da Sociedade Internacional de Continência deste ano foi em conjunto com a IUGA, uma entidade semelhante da área ginecológica (International Urogynecological Association). Alguns assuntos importantes ganharam destaque,como no tratamento dos casos de incontinência urinária (perda de urina involuntária) com uso de novas técnicas de cirurgia e novos medicamentos.Também foram discutidos novos tratamentos para a Noctúria, sintoma caracterizado pelo levantar várias vezes à noite para urinar, prejudicando o sono e a saúde de uma forma geral.  Até pouco tempo o arsenal terapêutico para esse sintoma, que pode aparecer sozinho ou fazer parte de desordens e doenças prostáticas, era meio limitado e deixava a desejar em termos de resultados satisfatórios numa parcela de pacientes. Agora existem novas abordagens e tratamentos.InteraçaoNo último mês recebemos 4 solicitações para comentar a VasectomiaAqui vai o artigo:Vasectomia – uma cirurgia mais simples do que pareceA vasectomia é uma cirurgia de esterilização definitiva do homem. É considerada definitiva, apesar de poder ser reversível. Sua reversão, contudo, nem sempre alcança sucesso, principalmente quando é feita após 8 ou 10 anos depois da vasectomia.

Geralmente, o homem que pretende fazer a vasectomia deve estar bastante seguro e decidido do que deseja. Isso deve incluir a opinião da parceira, quando o casal tem uma relação estável. A cirurgia de vasectomia não tem nenhuma influência sobre a libido e a potência sexual. São coisas totalmente distintas. A vasectomia é geralmente realizada sob anestesia local, em caráter ambulatorial.Nossa função reprodutora é dada pela presença dos espermatozóides que são produzidos nos testículos. Eles são levados por dutos chamados deferentes. Temos dois dutos, um em cada testículo. Já os hormônios sexuais (testosterona, o principal) são produzidos por outras células dentro do mesmo testículo e circulam através da coorrente sanguínea (o sangue chega ao testículo e sai ¨carregado¨ de testosterona). Na vasectomia apenas os dutos deferentes de cada lado são interrompidos. Os deferentes são muito distintos dos vasos. Qualquer um pode, durante o banho ou na sua privacidade, identificar, pela palpação, um cordão mais duro, um pouco maior do que um grafite de lápis comum, a cada lado do escroto, acima dos testículos. Ao fazer esse auto-exame a pessoa também pode perceber, com facilidade, como o duto é bastante móvel e vem com facilidade bem à superfície da pele do escroto.Essa facilidade de trazer o duto deferente até a superfície da pele é que torna muito favorável a abordagem para essa cirurgia.

Após a cirurgia, os espermatozóides continuam a ser produzidos e, como qualquer outra célula do organismo, se não é eliminada, vive durante o seu período determinado, morre e é reabsorvida por células especializadas nisso. Esse ciclo celular ocorre em praticamente todos os nossos órgãos. Essa produção mantida é o que permite às cirurgias de reversão, dentro de certos limites,  restabelecerem  a passagem desses espermatozóides quando o canal é religado. O tempo longo que pode inviabilizar a reversão da vasectomia é explicado pelo fato de que, com o passar do tempo,  o organismo vai desenvolvendo anticorpos contra os seus espermatozóides, afetando-lhes a capacidade de reprodução e viabilidade.A vasectomia pode falhar?Pode haver a chamada recanalização microscópica do duto. É uma eventualidade rara quando se adotam algumas manobras e detalhes cirúrgicos durante a sua realização – o índice de falha praticamente fica muito improvável. Mesmo quando essas manobras não são realizadas,  os dados mundiais apontam a vasectomia como o método com menor índice de falhas, quando comparamos todos os métodos, inclusive a laqueadura. Laqueadura ou ligadura das trompas é a cirurgia feminina equivalente à vasectomia . A laqueadura tem um índice de falha que pode chegar até  2%, ou seja,  mais de 20 vezes o índice da vasectomia, em dados obtidos no mundo todo.As outras desvantagens da cirurgia feminina são seu acesso e anestesia. Uma  vez que as trompas femininas ficam dentro da cavidade abdominal  o  procedimento  e sua anestesia  tornam-se mais complexos e onerosos.

*Texto originalmente publicado no site www.drhomeroguidi.com.br, e aqui reproduzido livremente, sem o contexto da data de sua publicação.

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Dr. Homero Guidi
Dr. Homero Guidi